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| ESCOLA INDUSTRIAL MOUZINHO DE ALBUQUERQUE Apesar de todos os defeitos inerentes à falta de condições, principalmente no que respeita ás questões práticas, o ensino técnico oficial foi fundamental na formação e preparação de milhares de jovens como nós, que quando foi hora, puderam entrar no mercado de trabalho de forma mais desinibida, porque desde cedo direccionados para uma determinada especialidade. A Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque, era em Lourenço Marques a parte intermédia do percurso. Vindos das escolas técnicas elementares, os alunos escolhiam um dos cursos de formação disponíveis virado para especialidades tão distintas como analista química; pintura e artes decorativas; mecânica auto; carpintaria; serralharia e montador electricista, de que obtinham diploma. Seguia-se a secção preparatória para os institutos industriais ( 2 anos ) com uma carga de disciplinas mais generalistas, e finalmente o Instituto Industrial com 2 cursos com o grau de engenheiro técnico, construção civil e minas e electrotecnia e máquinas. Alunos da indústria, da secção e do instituto funcionaram nas mesmas instalações até 1969, altura em que foram construídas as novas instalações para o instituto industrial, ao fundo da rua Heróis de Marracuene. Instalada num antigo palácio maçónico, tinha frente para três avenidas, a fachada principal para a av. 24 de Julho, a lateral para a av. Augusto Castilho e a traseira para a av. Afonso de Albuquerque que talvez fosse a mais utilizada para entrada e saída dos alunos e professores. Predominantemente frequentada por alunos do sexo masculino, apenas tinha alunas nos cursos de pintura e de química. No entanto há memória de uma aluna que frequentou e concluiu o curso de montador electricista e ficou conhecida pela “ Manela electricista “. Tradicionalmente rival da escola comercial, também situada na Av. 24 de Julho para o lado da Polana, onde a frequência femenina era predominante, eram famosas as incursões até à Pastelaria Cristal, em frente ao Comércio, às vezes de largas dezenas de alunos, para tirar uma revenche ou simplesmente para mirar. Até aos anos de 1967, 1968, em muitos sectores da sociedade de então o ensino técnico era considerado um “ensino menor” e quem o frequentava passava por ser meio vadio, no entanto, a nível do país era frequente ser dada preferncia a recém formados nas engenharias vindos do ensino técnico. A nós os alunos, esses pormenores passaram-nos ao lado. Em qualquer circunstância ser aluno da indústria era um orgulho e ainda hoje junto da grande quantidade de ex-alunos, que frequentemente se comunica e convive o sentimento está intacto. Por aquela escola passaram grande parte dos grandes desportistas daquela época,muitos dos bons profissionais que hoje trabalham espalhados por esse mundo fora, alguns artistas plásticos credenciados e até presentemente, na nova realidade moçambicana, alguns membros de governo. Sobretudo,nas sucessivas levas de estudantes ali formados denota-se um grande sentido de responsabilidade,abertura á inovação, espírito aberto que a terra africana induz. Após a indepência de Moçambique, a escola passa a denominar-se " Escola Industrial 1º de Maio ". O mesmo ensino,outra realidade. O percurso desde então não terá sido fácil, em função dos condicionalismos sócio-políticos, contudo,a evolução tem sido positiva. Talvez possamos futuramente vir a manter alguns pontos de contacto. Voltar ao tôpo |
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